Às vésperas da sabatina de Jorge Messias, indicado pelo governo federal para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), o Palácio do Planalto acelerou de forma expressiva a liberação de emendas parlamentares e reservou cerca de R$ 12 bilhões para pagamento.
O movimento ocorre em um momento decisivo para a tramitação da indicação do advogado-geral da União, que será analisado nesta quarta-feira (29) pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.
Jorge Messias precisa de 14 votos na CCJ
Para avançar ao plenário do Senado, Jorge Messias precisa garantir pelo menos 14 votos favoráveis na CCJ. Caso seja aprovado nessa etapa, a indicação seguirá para votação final, onde serão necessários ao menos 41 votos para a confirmação no Supremo.
As emendas parlamentares já haviam sido solicitadas anteriormente pelos congressistas, mas os repasses vinham sendo segurados desde o início do ano pelo governo, que buscava preservar espaço de articulação política em um cenário considerado sensível dentro do Congresso Nacional.
A nova liberação chamou atenção pelo volume e pelo momento em que ocorreu, justamente na reta final que antecede a análise da indicação ao STF.
Emendas parlamentares saltam de R$ 389 milhões para R$ 12 bilhões
No começo de abril, o ritmo de empenho era bem mais lento. Até então, apenas R$ 389,8 milhões haviam sido reservados, valor que representava menos de 2% do total previsto para o primeiro semestre.
Com a nova rodada, o governo já ultrapassa 58% dos R$ 17,3 bilhões que precisam ser executados até junho, conforme o cronograma estabelecido pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
O aumento reforça a estratégia tradicional de negociação entre Executivo e Legislativo, especialmente em votações consideradas estratégicas e de grande impacto político.
A sabatina de Jorge Messias no Senado ocorre em meio a esse cenário de intensificação da articulação política, com atenção voltada tanto para a votação quanto para os desdobramentos da relação entre governo e Congresso.