A possibilidade de uma nova paralisação nacional dos caminhoneiros voltou a preocupar autoridades e o setor produtivo diante do aumento no preço do diesel e da insatisfação crescente da categoria. Lideranças do transporte rodoviário indicam que já existe um consenso favorável à mobilização, embora ainda não tenha sido definida uma data para o início do movimento.
A articulação reúne tanto profissionais autônomos quanto motoristas vinculados a transportadoras, ampliando o alcance de uma eventual greve e elevando o nível de alerta no governo federal.
Insatisfação cresce após medidas perderem efeito
O descontentamento ganhou força após uma sequência de decisões que, na avaliação dos caminhoneiros, acabou neutralizando qualquer tentativa de alívio nos custos do combustível. Em 12 de março, o governo anunciou a retirada de tributos federais sobre o diesel e a criação de um subsídio que poderia reduzir o valor final em até R$ 0,64 por litro em determinadas situações.
No entanto, logo no dia seguinte, a Petrobras informou um reajuste de R$ 0,38 por litro no diesel A, acompanhando a valorização do petróleo no cenário internacional, impactado por conflitos no Oriente Médio.
Para a categoria, o aumento praticamente anulou os efeitos das medidas anunciadas anteriormente, mantendo o custo operacional elevado.
Frete mínimo e custos operacionais entram na pauta da greve dos caminhoneiros
Além da questão do combustível, os caminhoneiros também reforçam a cobrança pelo cumprimento da tabela de frete mínimo, estabelecida pela Lei 13.703. Segundo representantes do setor, a falta de fiscalização adequada permite que contratos sejam fechados abaixo do valor estipulado, reduzindo a rentabilidade da atividade.
Outras reivindicações incluem a isenção de pedágio em viagens realizadas sem carga e maior previsibilidade nos custos do transporte, considerados pontos essenciais para garantir a viabilidade econômica do trabalho nas estradas.
Governo monitora cenário e tenta evitar paralisação
Diante do risco de uma nova greve, o governo acompanha de perto as movimentações da categoria. Uma paralisação nacional poderia impactar diretamente o abastecimento de produtos e pressionar ainda mais a economia, como já ocorreu em episódios anteriores.
Enquanto as negociações não avançam, o clima segue de incerteza, com o setor dividido entre aguardar novas medidas ou avançar com a mobilização.